A vida de Matheus na Bolha
 


 

 

A única coisa que odeio mais do que funk (além de diarréia e meninas que tiram fotos de si mesmas no espelho) são os malditos carros com o volume no último volume tocando funk à meia noite, quando finalmente estou pegando no sono. Acabei conhecendo algumas letras, outras são impossíveis de compreender (especialmente uma que parece estar sendo "cantada" por uma mulher raivosa, com dor de dente severa e com o corpo ardendo em chamas). A nova moda (pelo menos nesta semana), é uma coisa que possui uma letra composta basicamente disso:


"Um pente é um pente
Traição é traição
Romance é romance
Amor é amor
E um lance é um lance
Um pente é um pente"


As letras na internet sugerem a existência de outras palavras na melodia, mas eu acho que isso é uma lenda urbana. O que importa é que os "autores" da "música" fizeram uma coisa que eu não achava possível: usando palavras reais da língua portuguesa, eles não disseram absolutamente nada. Literalmente. Não é nem uma forma de crítica, é um puro fato semântico: eles não disseram nada!


E por que parar aí? Sugiro uma continuação da letra. Você mesmo pode fazer em casa: pegue um nome e repita exatamente a mesma coisa, tendo o cuidado de usar o verbo "ser" no presente na segunda pessoa.

O resultado é alguma coisa assim:


Joelho é joelho
Relógio é relógio
Cigarro é cigarro
Reboco é reboco

Lopadotemakhoselakhogaleokranioleipsanodrimypotrimmatosilphiokarabomelitokatakekhymenokikhlepikossyphophattoperistera

é lopadotemakhoselakhogaleokranioleipsanodrimypotrimmatosilphiokarabomelitokatakekhymenokikhlepikossyphophattoperistera

Visconde é visconde
Marreco é marreco
Boina é boina
Misto quente é misto quente
Zack Snyder é medíocre
Chulé é chulé
Caneleira é caneleira
...


E por aí vai. As possiblidades são infinitas!


 Escrito por M. Ferraz às 20h45
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http://wonderfulencounters.files.wordpress.com/2008/10/before-sunset.jpg

"Nada acontece no mundo real? Você é louco? Gente é assassinada todo dia. Há genocídio, guerra, corrupção. Todo maldito dia, alguém no mundo, alguém sacrifica a própria vida para salvar outra pessoa. Todo maldito dia, alguém, em algum lugar, toma a decisão consciente de destruir outra pessoa. Pessoas encontram o amor, pessoas perdem o amor. Pelo amor de Deus, uma criança observa a mãe ser espancada até a morte nos degraus de uma igreja. Alguém passa fome. Alguém trai o melhor amigo por uma mulher. Se você não encontra material na vida, então, meu amigo, você não sabe bosta nenhuma sobre a vida. E por que diabos eu vou despediçar duas preciosas horas da mina vida com o seu filme?"
Robert MacKee

A razão pela qual eu criei um blog nunca foi para falar de mim mesmo. Mas já que eu tenho um, e quero dizer alguma coisa, acho que seria apropriado.

Eu, como Charlie Kaufman, tinha certeza de que nada acontecia na vida real. Mas eu, como Jesse Wallace, resolvi olhar para trás e analisar a minha vida, e percebi que eu nunca estive ao redor de helicópteros e explosões e tiroteios, mas que a minha vida está cheia de drama. Para ser franco, cheguei à conclusão de que, aos 19 anos e sem grandes aventuras ou perigos, eu poderia escrever uns dez livros se fosse esmiuçar o que aconteceu comigo.

E não, não é egocentrismo. Isto vale para você, amigo. É a lição que aprendi com o cinema de Kieslowski e Jeunet, com a literatura de Stephen King, Boccaccio e Ethan Hawke: pegue uma pessoa na rua, e vai ter material para mais filmes do que uma locadora comportaria, livros o suficiente para afundar uma ilha. A vida de todos é tão cheia de dramas, amores perdidos, desilusões, merda e felicidade que é impossível de acreditar.

Estou escrevendo porque isso cansa muito. Fica difícil de suportar. Às vezes imagino se seria possível frear um pouco e viver sem todo este turbilhão. Mas acho que não vale a pena tentar.



 Escrito por M. Ferraz às 17h49
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A pior cena de batalha do cinema nazi-exploitation!



 Escrito por M. Ferraz às 21h35
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http://www.freeweb.hu/mrger/Filmes/Silent_Horror/Dracula21_kepesmozivilag/drakula_halala1921.jpg

 

A Morte de Drácula (Drakula Halala, Hungria, 1923)

 

Responda rápido: qual o nome do ator húngaro que foi o primeiro a interpretar o vampiro Drácula no cinema? Bela
Lugosi? Errado! A resposta certa seria Paul Askonas, e o filme em questão não é o clássico “Drácula” (1931) dirigido por Tod
Browning, mas um obscuríssimo filme húngaro chamado “Drakula Halála” ou “A Morte de Drácula”, feito em 1923.


Este filme infelizmente está perdido. Apesar de trazer pouco do livro original de Bram Stoker, ele ainda assim é um
tremendo registro histórico por ser o primeiro a trazer o maior personagem da cultura pop aos cinemas. Foi, aliás, o primeiro
filme a usar o nome “Drácula”, já que em “Nosferatu” (1923), de Murnau, os nomes dos personagens foram trocados. Apesar
disso, o Conde Orlok de Murnau traz mais do personagem do livro do que o “Drakula” de Paul Askonas , que não é o nobre
vampiro que sai de seu castelo na Transilvania para saciar sua sede de sangue na Inglaterra. Trata-se, neste caso, de uma obra original e metalingüística.


A trama trata da órfã Mary, trancafiada num hospital psiquiátrico. Entre os diversos internos, há um particularmente
perturbador: um professor de música louco que acredita ser o Conde Drácula. Ele passa então a assombrar os pesadelos de Mary, e quase leva a garota à loucura. No final, a garota consegue escapar do “vampiro”, e termina se casando com um nobre. Mas,
apesar disso, continua o resto de seus dias assombrada pela figura macabra de “Drakula”.


Bem, dá pra ver que de Bram Stoker o filme não traz quase nada. Não temos Van Helsing, Jonathan Harker, Mina
Murray ou Lucy Westenra. Não se pode nem mesmo considerar “A Morte de Drácula” como uma adaptação do livro “Drácula”.
Mas, apesar de tantas mudanças em relação à obra original, todos têm de concordar que os filmes do Conde não são conhecidos exatamente por sua fidelidade à obra original. Este não é exceção: provavelmente, se não fosse pelo título, seria apenas mais um filme perdido entre centenas de outros. Essa é uma realidade triste, já que tantos filmes importantes feitos na época se perderam graças à destruição das cópias remanescentes.


Bram Stoker em 1912 morreu sem ver uma encenação de sua obra. As primeiras peças começaram a surgir nas mãos de
Hamilton Deane, em 1924. Vê-se então que “A Morte de Drácula” foi feito antes mesmo da dramatização para o teatro. É bom
lembrar que Stoker era, ele mesmo, um dramaturgo, e sempre sonhou em transformar sua obra em peça. Reza a lenda que ele
teria oferecido o papel do Conde para Sir Henry Irving, um grande ator da época, conhecido pela sua arrogância e mau-humor. Diz, aliás, que Deane teria esnobado Stoker, dizendo que sua peça era horrível, e, assim, perdeu a chance de se tornar
imortalizado na figura do maior personagem de horror de todos os tempos.


O ator Paul Askonas era um astro da indústria cinematográfica húngara, e teve a honra de ser o primeiro Drácula
cinematográfico. Ele seria seguido, anos depois, pelo compatriota Bela Lugosi, que, este sim, traria a imagem icônica do Conde
às telas, num filme que, embora também fosse muito diferente do livro original, traria elementos que consagrariam o gênero
vampírico nas telas. Já o diretor Lajthay Károly era bastante conhecido na Hungria na época, como diretor de thrillers. Ele
desapareceria por 12 anos depois deste filme, só voltando a dirigir em 1936. A indústria húngara de cinema é pouco conhecida, mas o país é oficialmente a “terra dos filmes mudos perdidos”. Dos 600 filmes feitos em 1912 e 1930, apenas 45 restaram, e
mesmo assim, você já viu algum deles? É um fato triste que apenas filmes de maior projeção mundial ganhem cópias em DVD
hoje em dia, enquanto estas pequenas obras estão condenadas a mofar nas prateleiras de depósitos.


“A Morte de Drácula” foi feito numa época em que não se fazia idéia do impacto que o vampiro teria na história do
cinema. Portanto, pode ser considerada uma obra até mesmo ingênua (e digo isso com base nas informações que tenho sobre o
filme, já que é impossível assistí-lo). Talvez, se tivesse seguido o caminho das obras posteriores, e realmente adaptado o livro de Bram Stoker, poderia ser considerado um marco na história do cinema. Infelizmente, da forma que foi realizado, não passa de
uma curiosidade histórica.

 

http://perso.wanadoo.es/arries/recursos/imagenes/la_cripta/cine/1921_Drakula_Halala_1.jpg



 Escrito por M. Ferraz às 23h13
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