Cadê a estonteante polonesa Izabella Scorupco, a Bondgirl de Goldeneye? Além dos óbvios atributos físicos (dá um banho nessas americanas sem sal), ela tinha várias qualidades para se tornar uma estrela. Fez Reino de Fogo, Limite Vertical e Exorcista o ínicio, depois desapareceu.
Essa bomba cai exatamente quando eu estou lendo "Os Tempos de Dillinger", livro obrigatório sobre os assaltantes americanos na época da Depressão: está previsto para 2010 o lançamento do filme "The Story of Bonnie and Clyde", nova versão do filmaço com Faye Dunaway e Warren Beaty. Bonnie será interpretada por... Hillary Duff (Senhor, por que nos abandonaste?) e o papel de Clyde ficou com Kevin Zegers, de Halloween Macabro (que eu vou morrer sem ver). Porque, é claro, estes dois bonitinhos são idênticos aos verdadeiros Bonnie e Clyde.
Eu desafio qualquer um a dizer quais são os bandidos e quais são os atores!
(Tá legal, Beatty e Dunaway eram diferentes também, mas pelo menos eles não tinham acabado de entrar na puberdade...)
"Eles nem poderiam ter arrumado uma atriz de verdade?" Faye Dunaway, ao ouvir falar sobre o casting do filme.
Edição: Já que estamos avacalhando, que tal Dwayne Johnson como Al Capone, Chris Rock como Bumpy Johnson e Shia LaBeouf como Lucky Luciano?
Acompanhe a sucessão de eventos: em 1989, dois cineastas independentes chamados Brian Thomas Jones e James McCalmont conseguiram grana para filmar um filme chamado Inferno em Safehaven, uma história passada num mundo apocalíptico à la Fuga de Nova York, que ninguém viu nem ninguém quis ver. Isso foi na época do boom do vídeo cassete, e uma pequena distribuidora brasileira¸ por algum motivo resolveu lançar o filme no Brasil. Mais uma vez, ninguém deu bola.
Pula para o século XXI, onde, graças ao novo formato do DVD, todo mundo abandonou de vez daquelas arcaicas caixas de plástico com uma fita enrolada dentro, condenadas a ficar nas prateleiras empoeiradas das locadoras que ainda insistiam em manter estas relíquias. Um cara chamado Matheus, que ainda teima em manter seu velho videocassete funcionando, sai de casa um dia, louco para ver um filme diferente, chega na última locadora do bairro que ainda tem VHS e decide pegar três filmes desconhecidos. No pacote vem um slasher, um filme de justiceiro estilo Charles Bronson e, por fim, o alvo desta análise: Inferno em Safehaven, que lutou pelas barreiras do tempo e tecnologia para encontrar alguém disposto a divulgá-la.
Safehaven é aquele tipo de filme que quando você termina de ver, vem a sensação de ser a única pessoa do mundo que já assistiu. Tente fazer uma busca no Google, e você não vai encontrar quase nada. Até mesmo no IMDB, o filme recebeu apenas uma crítica mal-humorada e, até o momento em que escrevo este artigo, 23 votos- incluindo o meu.
Não que Safehaven seja alguma obra-prima esquecida. É apenas um filme B mediano com pouco dinheiro, plot básico e ninguém muito famoso envolvido. Não é criativo como Fuga de NY ou marcante como Mad Max, dois filmes que com certeza foram referência para os roteiristas. Mas, mesmo não sendo nenhum clássico, ainda é um filme legal, com alguns bons momentos do roteiro e atores acima da média para o orçamento disponível.
O filme começa mostrando as ruínas de uma cidade, depois da destruição das civilizações. Se hoje em dia diretores medíocres e cheios da nota utilizariam milhões para retratar o mundo devastado, a dupla Jones e McCalmont simplesmente mostra uns prédios sem reboco e um cadáver caído no meio do entulho com uma narração de fundo e pronto: estamos na Terra pós-apocalíptica!
Pelas palavras do narrador Jeff Colt (John Winttenbauer, que só fez esse filme), neste mundo devastado existem fortalezas chamadas Safehaven, onde, por um bom preço, as pessoas podem se proteger das adversidades do mundo exterior. E é para Safehaven 186 que a família Colt está indo, depois de anos tentando conseguir uma vaga. Eles caminham pelas ruínas da cidade (ou seja, mais entulho e prédios feios), e acabam trombando com uma gangue de punks, mas são salvos na hora H por um homem misterioso chamado Pierce (Rick Gianasi, de Sgt. Kabukimen NYPD), que some em seguida.
Enfim, apesar das adversidades, ele chegam à fortaleza, onde são recepcionados pelo Prefeito McGee (o gordão Marcus Powell, que teve pequenas participações em Guerra nas Estrelas, O Homem Elefante e até A Fantástica Fábrica de Chocolates, como um dos Oompa Loompas!!!) que comanda Safehaven 186. O que eles não sabem é que o prefeito é controlado pelo punk Preacher (Roy McArthur, que participou de Rejuvenatrix, também de Jones, e rouba o filme), o verdadeiro mandachuva do lugar.
A família Colt mal tem tempo de desempacotar suas coisas, quando são chamados para testemunhar a execução de um criminoso. Revoltado com o espetáculo, o patriarca Ben Colt dispara xingamentos contra a política do lugar. O problema é que os asseclas de Preacher escutam tudo, e recebem a ordem de prender a família.
Logo os punks invadem a habitação da família, e capturam todos, menos o garoto Jeff, que saiu para comprar carvão e se engraçou com a stripper Sabina (o nome da atriz me escapou.) Sabina, para complicar as coisas, é intimidada por Preacher, que a mantém sob ameaças de exílio. Com sua família capturada, Jeff fica sozinho, e se junta a um grupo de moradores de Safehaven que se revolta contra os governantes. E, enfim, ressurge Pierce, o cara do início do filme, que tem contas a acertar com Preacher.
A partir daí, a história se foca na rebelião do grupo, sob comando de Pierce. Infelizmente, a ação não é muito empolgante, se resumindo a muita correria, alguns tiroteios e brigas corpo a corpo. É uma pena, pois com esta trama, a fita podia ser bem mais movimentada. O maio defeito é não explorar nem um pouco o fato de o mundo estar devastado: tirando as cenas do início, o filme todo se passa dentro dos muros de Safehaven. A violência também é comedida, mas pelo menos os personagens são bem construídos, e seguram as pontas.
O destaque no elenco vai para Roy MacArthur. Seu vilão Preacher é ótimo, e tem as melhores falas do filme (“Não vai dizer que sua esposa morreu! Que pena, eu sempre quis comer ela.”). Rick Gianasi como Pierce também constrói um anti-herói bacana, que parece ter migrado de uma história em quadrinhos.
Mas, mesmo com esses pontos positivos e potencial de se tornar um cult, o filme não emplacou. Mesmo entre aqueles que gostam de filmes obscuros, eu nunca li uma linha sobre Inferno em Safehaven, e provavelmente nunca teria assistido, se não tivesse escolhido às cegas. É uma sacanagem, pois, mesmo com seus defeitos ele ainda é mais divertido que esses filmes de ação multimilionários babacas como Quarteto Fantástico e Van Helsing.
E dá uma pontada de tristeza ouvir as palavras de Jeff Colt no final do filme: “Eu encontrei Pierce outra vez depois disso, mas esta é outra história. Um dia desses eu conto.” Pois é, infelizmente nunca vamos ouvir essa história.
Que me perdoem Chaplin e os Três Patetas, mas o homem mais engraçado do mundo foi Groucho Marx. O líder dos Irmãos Marx, além de ser um dos maiores comediantes que já existiram, teve também uma vida igualmente cômica. Na sua autobiografia, Groucho & Eu, ele conta sua vida de maneira não-linear, exaltando sempre as desgraças de sua vida com irreverência. Falando de seu primeiro carro (que ele precisava começar a frear cinco quarteirões antes de sua casa), suas peripécias amorosas e a entrada da família no show business, Groucho prova com louvor a máxima de que o bom comediante precisa saber rir de si mesmo. O capítulo sobre uma desastrada pescaria é tão ou mais engraçado que os melhores filmes dos Irmãos Marx. Falando sério, eu tive que acordar no meio da noite para começar a gargalhar: é engraçado assim. Corra atrás do livro e se divirta bastante.
Eu havia combinado com o Mestre Infernauta de resenhar para a Boca do Inerno o filme Garota Infernal em sua estréia, prevista para o dia 23 de outubro, mas fui vítima do descaso das distribuidoras. Sim, porque, de acordo com um e-mail que recebi do grupo Cinemark, a Playarte (sempre ela) iria realizar o lançamento do filme primeiro em São Paulo, Rio de Janeiro e Campinas, e depois nos demais estados. Como moro em Minas Gerais, fiquei chupando o dedão, e tive que correr atrás de uma cópia pirata do filme para entregar a resenha a tempo. Quem perde somos nós que vivemos fora do Eixo Rio/SP, e que temos que aturar o pouco caso das distribuidoras, sem contar que eles perdem o dinheiro.
Não acho exagerado considerar o filme francês "Os Amantes da Ponte Neuf" um dos maiores filmes românticos já feitos. A história é no mínimo inusitada: trata-se do caso de amor entre dois mendigos. Michèle (Juliete Binoche, a perfeição em forma de mulher) é uma garota rica, prestes a perder a visão, que foge de casa e se instala na tal ponte Neuf. Alex (Denis Lavant) é um cuspidor de fogo que vive na mesma ponte. Lá os dois se encontram e se apaixonam. Uma história de amor esquisita, para gente esquisita. Pra mim, se encaixou perfeitamente.
Antes de abandonar a universidade de cinema, meu sonho (irrealizável, é claro, mas os melhores sonhos são irrealizáveis) era, um dia, produzir um épico sobre as tropas brasileiras na Itália durante a Segunda Guerra Mundial. Eu acho abominável o fato de não termos pelo menos uma dúzia de filmes sobre o assunto. Porque, lendo livros sobre o assunto, visitando o museu da FEB e conversando com os veteranos, eu tinha imagens de um grande filme na minha cabeça, o nossos O Resgate do Soldado Ryan. Imaginei cenas de batalha ao som da música "Soldados" do Legião, e grandes atores nacionais como Milhem Cortaz, Wagner Moura e Chico Diaz como militares, enfim... tudo o que compõem um grande filme de guerra. Mas, aparentemente, existem histórias de favela demais para dar um espaço para este tipo de produção.